Vales do Chile: onde nascem os vinhos


Você já buscou o Chile no mapa? Ele parece submergir das águas! Seu território é um tanto peculiar, tem a forma de uma pimenta com 4.300 quilômetros de extensão por apenas 177 quilômetros de largura e está cercado por quatro barreiras naturais: de leste a oeste, cravado entre as montanhas da Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico, ao norte pelo deserto do Atacama e ao sul pelas geleiras da Patagônia. E ainda se equilibra acima de duas placas tectônicas! 

Seu favorável clima marcado por uma corrente fria que chega do oceano Pacífico se soma a sua beleza única e a sua geografia rica em releves – montanhas com mais de 5 mil metros de altitude, vulcões ativos e rios caudalosos. Uma terra extremamente fértil em cobre e outros minerais e uma rica diversidade de microclimas e solos que formam um fértil mosaico de terruás. O que para a viticultura é fantástico!

Do velho ao novo mundo, existe uma faixa imaginária batizada de a franja do vinho, um grande e fértil pedaço de terra onde as parreiras crescem em condições excepcionais. Os Vales do Chile – para a nossa alegria – fazem parte desta franja e é onde estão concentradas as vinhas e as plantações de uvas. São regiões com características únicas de solo e clima, onde muitas zonas são beneficiadas por brisas frias que baixam das montanhas ou que chegam do oceano, refrescando a terra. Outras zonas, são regadas com as águas vindas da Cordilheira. Além de todas essas bondades da natureza, o clima mediterrâneo moderado do Chile – de chuvas principalmente no inverno, que coincidem com o descanso vegetativo das parreiras e um período mais seco e quente, que coincide com o crescimento e amadurecimento das uvas – contribui ainda mais para o cultivo de uma grande variedade de cepas e para a elaboração dos divinos vinhos que provamos e amamos.

De norte a sul – das areias do deserto as geleiras da Patagônia – e de leste a oeste – da exuberante Cordilheira dos Andes ao azul do oceano Pacífico – o Chile está dividido oficialmente em seis grandes regiões, somando um total de 140.000 hectares de plantações de uvas para vinho: Atacama, Coquimbo, Aconcagua, Vale Central, Região Sul e Região Austral. Essas regiões estão fracionadas em dezessete vales e que definem a Denominação de Origem dos vinhos, estampada em seus rótulos. Além das indicações geográficas: Andes, Entre Cordilheiras e Costa, que exibe no rótulo do vinho a principal influência climática que ele recebeu. Assim, podemos conhecer melhor os nossos vinhos preferidos, desde a terra até a nossa taça.

Entre as montanhas da Cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico, outra rica diversidade de microclimas e solos oferecem ainda mais possibilidades de vinhos com alma e sentido de lugar. Os apreciados e prestigiados cabernet sauvignon nascem no caloroso Vale de Maipo – o vale mais urbano de Santiago, onde algumas vinhas resistem ao crescimento e ao agito da cidade. Nas ribeiras do rio Maipo, as primeiras variedades finas francesas foram plantadas e as mais antigas e tradicionais vinhas foram construídas. Em direção ao litoral e a caminho de Valparaiso, as montanhas da Cordilheira da Costa são mais baixas e logo que entramos no jovem Vale de Casablanca, notamos uma mudança de clima e paisagem. Dos dois lados da estrada, avistamos as vinhas e as suas intermináveis plantações de chardonnay, pinot noir e sauvignon blanc, entre outras que se adaptam melhor ao clima mais fresco e úmido do vale.

Seguindo no sentido sul, o belíssimo e prestigiado vale de Rapel e seus notáveis Carmernère e ainda mais ao sul, os vales de Curicó e Maule – maior região produtora de uvas do Chile e onde estão também algumas das parreiras mais antigas de país e moscatel. Vales onde a tradição campesina se mantém, faz parte da cultura uma forma mais simples de se viver e a produção de vinhos patrimoniais e naturais vem sendo resgatada. 

Além das seis regiões oficiais, existem também plantações de uvas em algumas zonas extremas do país – sem Denominação de Origem – onde a forma tradicional de se elaborar os vinhos se mantém desde a chegada das primeiras uvas, ainda no século XVI com os conquistadores espanhóis. Um desses exemplos é a elaboração do vinho doce Pintatani, que mostra o quanto a arte de se produzir vinhos no Chile é antiga. Ainda no norte do país, próximo ao Salar do Atacama e acima dos 2.400 metros sobre o nível do mar, tem plantações de antigas parreiras de país e moscatel usadas para a elaboração de um vinho doce de origem ancestral chamado Criollo. O Projeto Ayllu – que na língua dos atacamenhos significa comunidade – e o trabalho em conjunto de um pequeno grupo de produtores dá vida a vinhos tradicionais doces e a vinhos secos das uvas syrah e malbec. Na inóspita e lindíssima Patagônia, alguns projetos experimentais estão ganhando vida, um desses projetos é realizado pela vinha Undurraga, com plantações da uva pinot noir.

Essa combinação de natureza privilegiada somada a tecnologia, a criatividade e ao cuidado humano é a receita perfeita para a elaboração de vinhos com diferentes cores, sabores e aromas que representam a cultura e a essência de cada lugar. A imensa paixão dos chilenos – além dos espanhóis, franceses, croatas, brasileiros e outros apaixonados vinhateiros do mundo – é um convite irrecusável para a sua próxima viagem… Conhecer os vinhos, a culinária, o entorno, os atrativos, a cultura e a tradição que cada vale e as suas vinhas oferecem!


Fonte de Estudo: Vinos de Chile | Editora CONTRAPUNTO
Crédito das fotos @feriasnochile


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