Cousiño Macul


Depois de um longo período, eu saí do meu descanso vegetativo (para não falar quarentena) e fui  visitar a vinha Cousiño Macul. O motivo da visita foi ver como a vinha se preparou para receber os turistas durante a pandemia, já que alguns protocolos devem continuar a ser seguidos pelos próximos meses do ano.

Eu e as plantações da vinha vivemos aos pés da Cordilheira, em Santiago. Da minha sacada, vejo as intermináveis fileiras de parreiras que dividem espaço com condomínios e com o comércio local. Elas chegaram muito antes que eu na região, ainda no período em que o Chile era colônia dos espanhóis. E foi por um pedido do rei que uvas como país e moscatel foram plantadas no fértil vale de Maipo. Com o passar do tempo, estas uvas foram substituídas pelas francesas cabernet sauvignon, merlot e outras “cepas” trazidas por Matías Cousiño, no final do século XIX, uvas que até os dias de hoje são usadas na elaboração dos prestigiados vinhos da Cousiño.

Na vinha, fui recebida pela guia Beatriz que, depois de um “hola”, me pediu para que eu passasse álcool gel nas mãos. Em seguida, ela me deu as “bienvenidas” com uma taça – guardada numa sacola – e me serviu um sauvignon blanc, geladinho. Logo chegaram outros visitantes que foram recebidos da mesma maneira – antes do álcool na taça, álcool nas mãos!

Depois de tocar um sino – que deve ter a idade da vinha, uns 160 anos – e dar algumas orientações, a Beatriz começou o tour pelas plantações de cabernet e merlot que são usadas na produção dos vinhos Lota e Finis Terrae, os dois tops da vinha. Passeamos também pelas “bodegas” de vinificação, de guarda dos vinhos, além do museu e da “cava” particular da família. Durante o passeio, entre informações, curiosidades e um pouco de história, provamos três vinhos. E, para terminar, nos sentamos embaixo de uma boa sombra e provamos mais três, harmonizados com queijo e chocolate. Antes de voltar para casa, fiz comprinhas na loja, que agora é um tipo de show room do lado de fora.

O tour de que eu participei foi o Premium, mas a vinha oferece outras experiências bacanas, como o tour de Bike, o tour Jardín de Macul e o tour Isidora. Este último, em homenagem à grande mulher que foi Isidora Goyenechea, uma das fundadoras da vinha.

Bete Veingartner | Janeiro 2021