Adega vazia!

Eu em #mododescanso, a cidade de Talca em quarentena e a minha adega zerada. Me bateu um desespero, rs. Busquei pelas vinhas da região que faziam entregas e cheguei na Daniela da @gillmorewines, a dona desta joia chamada País del Maule.

E que joia de vinho! De cara me ganhou pela etiqueta em preto e branco com o desenho de uma parreira antiga de uva país. Na taça a sua cor é alegre e brilhante, com aroma de frutas frescas recém colhidas. Em boca é amável, fácil de beber e difícil de parar. Em dois dias, as três garrafas de país que pedi já estavam vazias. Uma delas, abrimos em um gostoso almoço em família e  acompanhou um riquísimo pastel de choclo, [um tipo de escondidinho de carne coberto de creme de milho gratinado] que a minha sogra Irma preparou – a harmonia entre prato e taça foi perfeita.

As plantações da vinha Gillmore estão aos pés da Cordilheira da Costa, uma zona de cultivo secano [sem regadio] e com D.O [denominação de origem]. A vinha foi fundada em 1989 pelo pai da Daniela, e desde 2001 ela e o seu marido Andrés, enólogo da vinha, passaram a cuidar do vinhedo, juntos eles elaboram vinhos com um marcado sentido de origem.

A uva país é originária das Ilhas Canárias; por sua boa adaptação a diferentes climas e solos, ela se espalhou por alguns continentes pelas mãos de missioneiros, que a usavam na elaboração de vinhos para missa. No Chile, a uva país chegou no século XVI pelas mãos dos espanhóis e foi amplamente cultivada, chegando a ser a variedade mais plantada no país. Com o passar dos séculos e com as mudanças na cultura do vinho, ela foi arrancada e substituída pelas uvas francesas.

Hoje, as plantações da uva país no Chile somam mais de 12.000 hectares que estão plantadas nas regiões de Maule e Biobío. Um movimento formado por vinhateiros destas duas regiões buscam resgatar o valor da uva país, perdido nas últimas décadas. O movimento também busca resgatar as tradições campesinas e os seus valiosos ensinamentos.

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