Cordilheira dos Andes

Sempre me perguntam se vale a pena ou não um passeio pela Cordilheira dos Andes no período fora do inverno, e de verdade acho que é uma escolha muito pessoal, porque depende do que cada um está buscando, depende do olhar ou quais são as expectativas de cada um. Eu particularmente, fico deslumbrada cada vez que faço esse passeio levando turistas, e não importa a estação. Me sinto abençoada por mais uma vez estar tendo a oportunidade de estar ali, entre aquelas montanhas milenares, lugar onde “escuto” um silêncio que emana energia, que em poucos lugares do planeta deva existir. Sim, são montanhas sem neve, mas pelo caminho podemos apreciar uma vegetação nativa e multicolorida, animais que só habitam aquela região, como o zorro (coiote) e o condor andino, além de outras surpresas como cavalos, vacas, cachorros, ciclistas e viajantes que buscam aventura ou paz, afinal esse pedaço do mundo é perfeito para o reencontro com o equilíbrio que o dia a dia nas grandes cidades nos rouba.

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Então, se você me perguntar se vale a pena ou não, sempre vou responder que sim sim sim, porque talvez essa seja a sua única oportunidade de estar em um lugar como esse.

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A estrada, mesmo sem neve, exige muita experiência e atenção de quem está no volante, ela é estreita, e com um total de 62 curvas fechadas e íngremes até se chegar em Valle Nevado, e pelo caminho outros carros vindo na direção contrária, ciclistas e animais. Calculando em linha reta, são apenas 32 quilômetros de Santiago até Valle Nevado, mas subimos circulando as montanhas e levamos em torno de 1 hora e 15 minutos até chegar em Farellones, e depois mais uma meia hora para chegar em Valle Nevado. Recomendamos aos mais sensíveis do estômago, ou que sofrem de labirintite, a tomarem um dramim antes de sair do hotel.

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Na primavera, um espetáculo à parte, tapetes de flores amarelas se formam em vários pontos da estrada, e a paisagem em tons de marrom ganha um colorido, deixando tudo ainda mais bonito.

Subindo, encontramos a Reserva Yerba Loca, um pedaço a parte da Cordilheira, onde você paga uma taxa para entrar e segue caminho até chegar em pontos preparados para fazer piquenique e camping, e seguindo caminho até um trecho de carro e depois alguns dias a pé, o destino final são incríveis glaciares. Mas por essa Reserva apenas passamos, e logo em seguida paramos no primeiro mirador das montanhas, que fica a uma altura de 1800 metros, e ali você já consegue ter uma ideia da beleza e da energia que as montanhas emanam. Aqui, um tipo muito “buena onda” vende no único shopping andino (rs) pedras vulcânicas, artesanato local e instrumentos musicais. Sempre vale a parada!

Seguimos até chegar em Farellones, o único povoado andino, ou seja, pessoas moram aqui, tem escola, comércio, pequenas casas e cabanas, e uma vida normal de um pequeno vilarejo nas quatro estações. No inverno, um centro completo de esqui atrai centenas de pessoas que querem aprender a esquiar ou apenas ter uma experiência com a neve, e nas outras estações o Parque Farellones oferece atividades como tirolesa, tubbing e teleférico, para quem busca emoção. Costumamos aproveitar a tranquilidade do lugar fora da alta temporada e oferecemos os nosso turistas um piquenique ou uma degustação privada com sommelier, momentos únicos. Quem viveu sabe como foi boa essa experiência.

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Depois subimos mais um pouco e chegamos a 3.000 metros de altura, em Valle Nevado, e aqui, diferente de Farellones, a estrutura não é para morar. Valle Nevado conta com alguns hotéis de 4 e 5 estrelas, e diárias na alta temporada que variam entre $ 600 e $ 1600 dólares, uma lojinha de roupas e acessórios para neve, alguns pequenos cafés que só abrem no inverno e um restaurante com uma vista para as montanhas de tirar o fôlego, aberto o ano todo. A ideia aqui é desfrutar de um bom almoço no restaurante e depois subir até o mirador, ponto da cordilheira que com sorte conseguimos ver bem de perto os condors que parecem plainar no céu. Para os mais dispostos, um trekking é uma boa opção, ou um tempo para meditar ou apenas relaxar. Acho que cada um deve procurar o seu momento aqui, e minha dica pessoal é não ficar pensando nos problemas cotidianos, penso que um lugar como esse deva ser vivido e respirado com algumas pausas de silêncio, contemplação e agradecimento.

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